Governança corporativa: o que é e qual sua importância na pandemia?

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Ilustração de um homem apontando para sua frente, simbolizando a governança corporativa.

O conceito de governança corporativa, difundido amplamente no mercado, pode parecer, à primeira vista, bastante complexo. Contudo, de maneira simplificada, o termo diz respeito a um conjunto de processos e normas que norteiam a administração de uma empresa.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), a conceituação se baseia no “sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas.”

Ou seja, em uma companhia, a governança corporativa tem como principal objetivo fomentar a organização, estreitar e fortalecer relacionamentos com stakeholders e assegurar o alinhamento de interesses de negócios, conciliando-os com as diretrizes de órgãos de fiscalização e regulamentação. Todo esse processo tem por finalidade alcançar os resultados desejados e contribuir para a qualidade da gestão.

Dessa forma, a governança corporativa deve ser compreendida como um mecanismo de gestão para orientar o funcionamento, de maneira ordenada e em conformidade com os processos que regem a instituição, visando maior eficiência nas diversas camadas que compõem a estrutura organizacional e fomentando, assim, a construção de uma cultura institucional. Nesse sentido, vale destacar que, em relação às normas, práticas como o Compliance pertencem à governança corporativa.

Os pilares da governança corporativa

Na prática, ao desenvolver um sistema de governança corporativa, é necessário que as companhias invistam em modelos de maior equilíbrio. 

Uma administração corporativa muito rígida pode impactar e burocratizar o trabalho, trazendo efeitos negativos para a gestão. Por outro lado, a ausência de um plano sólido pode fragmentar a governança e não trazer os resultados esperados.

Para auxiliar nesse processo, o IBGC listou quatro pilares que constituem e devem estar presentes em qualquer programa de governança corporativa. São eles:

Transparência 

Consiste no desejo de disponibilizar para as partes interessadas as informações que sejam de seu interesse e não apenas aquelas impostas por disposições de leis ou regulamentos. 

Não deve restringir-se ao desempenho econômico-financeiro, contemplando também os demais fatores (inclusive intangíveis) que norteiam a ação gerencial e que conduzem à preservação e à otimização do valor da organização.

Equidade 

Caracteriza-se pelo tratamento justo e isonômico de todos os sócios e demais partes interessadas (stakeholders), considerando seus direitos, deveres, necessidades, interesses e expectativas.

Prestação de Contas (Accountability) 

Os agentes de governança devem prestar contas de sua atuação de modo claro, conciso, compreensível e tempestivo, assumindo integralmente as consequências de seus atos e omissões e atuando com diligência e responsabilidade no âmbito dos seus papéis.

Responsabilidade Corporativa 

Os agentes de governança devem zelar pela viabilidade econômico-financeira das organizações, reduzir as externalidades negativas de seus negócios e suas operações e aumentar as positivas, considerando, no seu modelo de negócios, os diversos capitais — financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social, ambiental, reputacional, entre outros — no curto, médio e longo prazos.

Esses princípios possibilitam às organizações estruturar sistemas mais robustos, que dialogam com as necessidades da empresa e auxiliam no cumprimento de metas.

Além disso, entre os benefícios oferecidos por uma governança corporativa aplicada de maneira eficaz, é possível destacar a mitigação de conflitos. Essa que permite às empresas maior preparo para lidar com gestão de crises, bem como a valorização da marca, que contribui para a promoção de uma imagem mais positiva, baseada, sobretudo, pela ética. 

Ao atuar de maneira absolutamente transparente e executar a prestação de contas, as companhias geram mais confiança a todos os stakeholders, sejam eles internos ou externos.

Com isso, as organizações são capazes de atrair mais investimentos. O reconhecimento da atuação e da existência de políticas fortes na governança corporativa faz com que as empresas possam se destacar e atrair a atenção de investidores. Sendo assim, as organizações podem, ainda, aumentar o seu valor de mercado e se consolidar em ambientes mais competitivos.

A governança corporativa e as relações institucionais e governamentais

Independentemente da atuação, as práticas adotadas no sistema de governança corporativa conferem às companhias o aumento da rentabilidade e eficiência, controle das atividades empresariais e proporcionam crescimento sustentável.

Para a área de Relações Institucionais e Governamentais (RIG), a governança corporativa é mandatória. De acordo com a pesquisa O profissional que exerce atividades de Relações Governamentais: Um olhar para sua própria atuação”, promovido pelo Instituto de Relações Governamentais (IRelgov) em 2017, realizada com mais de 150 profissionais de RIG, a governança corporativa está no topo das características da cultura organizacional que favorecem sua atuação, com 66,87%.

Isso ocorre porque a área demanda a construção de pontes de confiança com agentes governamentais, onde a transparência figura como elemento crucial à atuação. É preciso considerar a necessidade de comunicar ações e propostas e municiar o profissional com informações, para que seja possível exercer pressão e operar por meio do poder de influência. 

Além disso, a atividade está, constantemente, orientada à prestação de contas, seja para desempenhar o papel perante aos atores do governo ou da sociedade de modo geral. É fundamental lapidar o aspecto da confiança e isso só é possível com atuações transparentes.

Mais do que isso, a governança corporativa, em relações institucionais e governamentais, também atua sobre a gestão de riscos — político ou regulatório. Estar em conformidade, nesse caso, permite a construção de maior credibilidade, bem como ter mais controle e calcular os riscos estratégicos para a mobilização e o consequente sucesso do lobby.

Os desafios da governança corporativa na atualidade

A pandemia do novo coronavírus impactou as sociedades globais e se consolidou como a maior crise já vivenciada pelo Brasil. Os efeitos experimentados em todos os setores econômicos brasileiros denotam o agravamento de crises política, sanitária e humanitária.

Em tempos como esses, a governança corporativa se faz altamente necessária. Empresas com políticas sólidas tendem a passar mais credibilidade e atravessam melhor momentos de crise. Para isso, no entanto, é importante que as organizações adotem a criação de comitês voltados à gestão de crises, no qual debaterão todas as medidas necessárias para assegurar a execução dos pilares de governança, que serão responsáveis por possibilitar o enfrentamento de maneira sustentável.

Levantando em conta todos os desafios impostos pela Covid-19, vale destacar a importância da transparência em todos os processos nesse momento. É imprescindível que as empresas se comuniquem, interna e externamente, da maneira mais clara possível e ofereçam informações quanto aos seus procedimentos e as expectativas no curto, médio e longo prazo.

Nesse sentido, mais do que cumprir com a obrigação de prestar contas e agir de maneira transparente, as organizações se tornam capazes de criar vínculos maiores de confiança com seus stakeholders — o que contribui para atuações mais certeiras e eficientes.

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