Armas para entender o Espírito do Tempo: lobby, imprensa, relações governamentais e o combate à infodemia

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Foto de Lydia Assad ao lado do titulo do artigo sobre infodemia.

Entender o Espírito do Tempo, ou o termo alemão Zeitgeist, auxilia na tomada de decisão de negócios conectados com o que está se passando no mundo. 

E quando falamos de public affairs, lobby e Relações Governamentais, temos como um dos principais stakeholders da grande maioria das atividades: a mídia. A infodemia causada pelo excesso de informação a qual estamos submetidos atualmente faz com que tenhamos gigantescos volumes de informação sendo produzida a cada segundo, e a imprensa cumpre o seu papel de gatekeeper na definição de quais são ou deveriam ser as informações mais relevantes.

Por isso, avaliar e acompanhar os movimentos da imprensa torna-se um problema essencial do papel do profissional de Relações Governamentais. Entendido isso, é necessário deixar claro quais são as ferramentas que podem ser utilizadas pela área de RIG. Além disso, para a atuação desse profissional é necessário levar em conta, durante toda a construção da estratégia, todos os ângulos do contexto em que estão inseridos. Sejam eles específicos do poder público, ou do 4º poder: a imprensa.

A imprensa, por meio de seus enquadramentos e agendamentos, revela quem participa das discussões, quem é relevante nos debates, quais histórias são relevantes e quais forças operam em cada contexto. Faz isso para cumprir plenamente um dos seus principais papéis, que é o de definir os assuntos relevantes em cada contexto. Em outras palavras, definir o que é relevante o suficiente para ser notícia. Só é possível mapear e entender os movimentos políticos e quais forças são mais expressivas com o monitoramento próximo dos principais agentes da informação, ou seja, das principais fontes de mídia.

Mas como criar esse tipo de inteligência quando o volume de informações e publicações ultrapassa até o limite do humano de processamento? 

Com grandes computadores processando informações, milhares de páginas sendo publicadas na grande rede por segundo, registros nas redes sociais ganhando relevância, fica cada vez mais importante e essencial para o processo de decisão selecionar e diferenciar o ruído dos pontos e das mensagens realmente relevantes. É um desafio dos tempos atuais, sem dúvidas.

Criar esse tipo de lucidez é como olhar para vários pontos de um mapa. Olhando enquanto se caminha pela cidade é possível visualizar todos eles, um após o outro. Mas ao olhar de cima, sobrevoando o resultado da construção daquele grupo de informações, além de ter uma melhor noção das distâncias, também é possível identificar como o caminho percorrido se constrói, onde estão cada curva e qual é o resultado final do trajeto. Por outro lado, sem um bom mapa, é arriscado que se passe por caminhos mais longos, tortuosos e se tome decisões “ás cegas”.

O uso de mapeamento de notícias traz outra dimensão para a análise. A experiência do profissional de Relações Governamentais também conta para investigações valiosas. Somar a isso a inteligência dos dados permite agregar um grande volume de informações (muitas vezes invisíveis a “olho nu”), traz novos insights e organiza tudo isso de uma maneira acertada e intuitiva.

No mundo das redes sociais, o segundo desafio torna-se, então, entender quais são as fontes essenciais para o seu contexto, quem são os stakeholders e como eles se posicionam nas novas redes de comunicação que estão sendo transformadas a cada dia e numa velocidade que torna impossível todos estarem totalmente conectados e preparados.

Ao preparar uma estratégia, seja ela qual for, além de entender do negócio do cliente, dos modelos praticados e dos objetivos traçados, faz-se necessário dar contexto ao mapa e preencher as lacunas que aparecem. Compreender e navegar na complexidade do ambiente é condição basilar, não apenas para o sucesso, mas também, e principalmente, para a sobrevivência de qualquer empresa ou instituição. Neste contexto, é essencial acompanhar e entender como a imprensa se movimenta, o que notícia, como opina e se comporta diante do contexto complexo em que estão inseridos os negócios atualmente.

Além de ser uma prática que beneficia os negócios, o monitoramento da imprensa e das notícias contribui para o fortalecimento do regime democrático no país, promovendo ambientes mais transparentes e estáveis — sejam públicos ou privados. Em tempos de infodemia, saber quais fontes são relevantes e estratégicas pode ser o grande diferencial do negócio. 

Pensar em monitoramento de notícias é se abrir a entender o que é esse espírito do nosso tempo. Esse espírito é resultado da união de todas essas conexões que fazemos e o profissional de RIG deve estar de olho. Entender o contexto presente talvez seja uma das maiores armas para os interesses mais difíceis de serem defendidos.

Lydia Assad é gerente de contas estratégicas e especialista em Relações Institucionais e Governamentais da Inteligov.

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