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No contexto atual, de firmes posicionamentos políticos, polarização e uma realidade econômica instável, a diplomacia empresarial assume um papel ainda mais importante do que já desempenharia em um cenário de crescimento econômico.

Qualquer variável de influência que surja da política é determinante para o sucesso ou fracasso de um negócio. No caso das empresas ou organizações com atividade internacional, estar atento ao contexto político e regulatório de cada local é condição essencial para o bom resultado das atividades.

Recentemente, o Congresso aprovou a MP da Liberdade Econômica, ao mesmo tempo em que propôs — ainda que não tenha aprovado —, limitar o percentual cobrado pelos aplicativos de mobilidade, ou seja, posicionamentos divergentes. Isso nos mostra que compreender e acompanhar a atividade parlamentar já são atividades complexas no âmbito nacional, quanto mais no global.

É diante dessa realidade que a diplomacia empresarial assume papel que lhe cabe: buscar prever e minimizar os efeitos das variáveis políticas nos negócios no cenário global. Neste artigo, vamos entender melhor essa atividade e refletir sobre como aplicá-la.

O que é diplomacia empresarial

Imagine o caso de uma indústria química internacionalizada. Ela usa um princípio ativo em seus produtos que corre o risco de ser proibido em um determinado país. Quem no organograma da empresa é o responsável direto por eliminar ou minimizar os efeitos dessa ameaça?

Um colaborador da produção certamente não teria todas as informações e autonomia para resolver essa questão da melhor maneira, bem como a condição de articular uma solução no prazo necessário para evitar danos aos negócios da empresa.

A diplomacia empresarial é uma atividade que serve de ponte entre os envolvidos nesse tipo de situação. Ela representa a empresa no cenário externo e elabora uma estratégia de médio e longo prazo para consolidar a organização nesse mercado.

É uma atividade multidisciplinar, que exige conhecimentos da área de gestão, política, legislação internacional e do trato de vários agentes envolvidos, como ONGs, agências reguladoras, agências de fomento e parceiros globais.

Ou seja, além da solução de crises, como a que citamos no exemplo, a diplomacia empresarial tem a função de representação, com o objetivo de melhorar o posicionamento da organização no mercado internacional.

O crescimento desse mercado

Trata-se ainda de um mercado novo no Brasil, mas com tendência de expansão. Embora seja mais comum em grandes organizações, há um novo espaço de atuação, que está nas startups — especialmente as do setor de tecnologia. Os grandes investidores dessas empresas procuram negócios com capacidade de escala, o que torna a internacionalização uma tendência natural dessas empresas.

Como elas têm natureza disruptiva, estão sujeitas a eventuais ameaças protecionistas e regulações pensadas para outros modelos de negócio, já que a inovação demora a ser incorporada pela legislação, que tem seu ritmo próprio.

Ainda que a competência para a celebração de acordos internacionais seja do Estado, é natural a necessidade de que negociações mais específicas sejam executadas pelas próprias empresas.

Além disso, há claro aumento nas discussões sobre a regulamentação do lobby e das interações que ocorrem em âmbito internacional. Contadores indianos prestam serviços para escritórios estadunidenses, bem como atendentes de telemarketing centralizados em uma localidade qualquer do mundo podem atender ao seu pedido em um drive-through do outro lado do planeta.

O profissional que atua na diplomacia empresarial

Embora exista uma demanda crescente pela diplomacia empresarial, não há profissionais qualificados em número suficiente no Brasil. Nossos cursos não preparam para esse tipo de atividade que, como adiantamos, exige qualificação multidisciplinar.

A fluência no inglês é, sem dúvidas, um requisito indispensável, mas o ideal é saber se comunicar em outros importantes idiomas. Também é preciso desenvolver a capacidade e o conhecimento necessários para analisar e avaliar cenários, negociar, representar, acordar interesses, mitigar conflitos e, como consequência, trazer resultados positivos estratégicos para a organização.

A liderança é uma das competências determinantes para mover várias pessoas em torno de um mesmo objetivo. Basicamente, é isso que as atividades empreendedoras fazem: unem agentes de diferentes crenças, ideologias e capacidades, presentes em vários setores de uma cadeia produtiva, em torno de um mesmo propósito, que vai beneficiar todos.

No entanto, essa sinergia não é tão orgânica e natural como seria desejável. Ainda assim, um diplomata corporativo pode, perfeitamente, trabalhar para criar os estímulos certos para alinhar interesses diversos.

Isso significa que o objeto principal da atuação desse profissional não é um acordo ou objetivo estratégico, pois esses são produtos do seu trabalho. A atribuição principal depende, justamente, da habilidade de lidar com “gentes” — no plural, porque são diversas, com culturas diferentes, visões particulares e valores específicos.

A partir desse ponto de vista, podemos concluir que a diplomacia empresarial depende fortemente de um vasto conhecimento sobre diferentes culturas, hábitos de compra e até mesmo gostos artísticos.

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